16 de junho de 2009

16 de Junho

"Eis que se anuncia de modo sumamente grave
A vinda da mulher amada, de cuja fragrância já me chega o rastro.
É ela uma menina, parece de plumas
E seu canto inaudível acompanha desde muito a migração dos ventos
Empós meu canto. É ela uma menina.
Como um jovem pássaro, uma súbita e lenta dançarina
Que para mim caminha em pontas, os braços suplicantes
Do meu amor em solidão. Sim, eis que os arautos
Da descrença começam a encapuçar-se em negros mantos
Para cantar seus réquiens e os falsos profetas
A ganhar rapidamente os logradouros para gritar suas mentiras.
Mas nada a detém; ela avança, rigorosa
Em rodopios nítidos
Criando vácuos onde morrem as aves.
Seu corpo, pouco a pouco
Abre-se em pétalas... Ei-la que vem vindo
Como uma escura rosa voltejante
Surgida de um jardim imenso em trevas.
Ela vem vindo... Desnudai-me, aversos!
Lavai-me, chuvas! Enxugai-me, ventos!
Alvoroçai-me, auroras nascituras!
Eis que chega de longe, como a estrela
De longe, como o tempo
A minha amada última!"

"Sobre o leito do amor teu seio brilha
Eu morro, se desfaço-te a mantilha
Tu és — Júlia!"

REFLITÃO OK

14 de junho de 2009

Brasil 2014

Diz que tem uma resolução que exige que, a partir do ano que vem, os lugares dos estádios do campeonato brasileiro sejam marcados. Jemt, eu fico tão espantado como que algum engravatado tem coragem de editar uma medida dessa.

Hoje eu fui ao estádio. 40.000 pagantes. Cheguei cedo, uma hora e meia antes, e fiquei esperando os companheiros chegarem em frente à entrada principal. Tinha ingresso de dois até cinquenta reais. Isso atrai um público bastante diverso. Entramos ainda faltava uma hora pro começo do jogo. Dois setores já estavam esgotados e ambos estavam vazios. Assim ficaram até uns 15 minutos antes da bola rolar. Então nego vai chegando e as cadeiras dos cantos vão ficando vazias, enquanto as entradas e as escadas vão ficando lotadas de gente em pé.

E estádio vocês sabem como é. Não há muita classe, né. A gente xinga tudo. Todos. Imagina a cena: você e mais três amigos compram ingressos com lugares marcados e deixam pra entrar faltando 10 minutos pro começo da partida. Então encontram seus lugares ocupados por outras pessoas. E aí não interessa se é grande ou pequeno, homem ou mulher, amarelo ou verde, é torcedor, que por natureza é um ser primevo*.

- Com licença, minha senhora, mas esse lugar é meu. Vocês poderi...
- Vai tomá no seu cu, filhodaputa!

Aí vem as sugestões. Funcionários em cada fileira orientariam os torcedores a ocuparem os lugares que constassem de seus ingressos. Deveriam ser muito bem treinados. Pela SWAT, eu sugiro. Imagina hoje quando pelo menos 20.000 entraram quase na hora do jogo. Impossível.

Imaginem, agora, a venda dos ingressos. Recentemente, compramos ingressos pro Cirque de Soleil. Lugares marcados, of course. E dezena de setores. Então você chega à bilheteria, a mocinha muito solicita te mostra o mapa de lugares e pacientemente consulta aqueles que você vai pedindo. Até que, depois de uns 20 minutos, você escolhe seu lugar para o espetáculo que será daí a seis meses.

Quem já viu uma venda antecipada de ingresso pra um clássico, já está imaginando o que vou dizer. Eu já presencieei, certa vez, os torcedores terem que sair da bilheteria por cima do povo. Sim, por cima, tipo depois de um "stage diving" num show de rock. Com certeza, ele não estava vendo o mapa de lugares pra escolher onde se sentar.

E isso eu estou falando do Mineirão, um estádio razoavelmente bem organizado. Nem vou falar dos campos de várzea que existem por aí sendo usado na primeira divisão.

Não dá pra virar Europa de um dia pro outro. João me contou hoje uma história fantástica sobre isso. No estádio do Chelsea, em Londres, os lugares são marcados e os torcedores compram ingresso para a temporada inteira. Ou seja, naquele ano, aquela cadeira ali é minha. E um torcedor percebia que as cadeiras do seu lado ficaram vazias durante os quatro primeiros meses do campeonato. Quando foi em janeiro, um pai e um filho ocuparam aqueles lugares. O cara foi lá assuntar.

- Minha mulher nos deu de presente de natal os ingressos para a temporada!

Mais difícil que isso é só o metrô chegar na Pampulha.

Boa semana pra vocês.

13 de junho de 2009

Diálogo II

- Vocês viram a declaração do Lula no enconto com o Chaves?
- E o Kiko?
RIZDOS
- Sério... ele disse que se Dilma for eleita, ele quer ser o presidente do Petrobras. Rapaz, anota aí, se ele virar presidente da Petrobras. eu peço demissão de lá... Eu estudei tanto para trabalhar lá... não é justo o Lula ser presidente da Petrobrás... Da república, vá lá...
- !!
RIZDOS MACXIMOS

12 de junho de 2009

Deu pra ti, Baixo astral. Vou pra Porto Alegre, tchau!

Alô, Guega, faz contato. Estarei por aí até a terça-feira.

11 de junho de 2009

Por que não vou a igrejas e a academias?

Deixem-me contar o que está se passando na Câmara de Vereadores de Belo Horizonte. Há um projeto de lei que pretende criar o Dia Municipal da Parada do Orgulho LGBT na capital mineira.

No trâmite da matéria, ela passa pela comissão de legislação e justiça. Lá o projeto recebeu um parecer contrário, sob a alegação de que o não havia previsão de onde sairia os recursos que financiariam o evento, o que infringe a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Seria apenas uma discussão burocrática, se o relator que emitiu o parecer desfavorável ao projeto não fosse o líder da bancada evangélica no legislativo municipal. Dos cinco integrantes da comissão, apenas dois votaram (e contra): ambos pastores.

Nessa terça, rolou um quebra-pau no plenário, porque ia se votar um recurso que derrubaria o relatorio. Pouco antes, o plenário aprovou a isenção de ISS para que a FIFA organizasse a Copa de 2014 por aqui. Resultado: esvaziou-se a votação e nada foi resolvido.

Eu não levanto bandeira pra nada. Acho chato qualquer ativismo social. Entretanto, diante de coisas assim, a gente fica indignado. Tá certo que todos ainda temos muito o que aprender sobre a diversidade sexual, que a homofobia é algo socialmente aceito, como o preconceito racial já foi. E nem é isso que me irrita mais nessa história: mas é a prepotência desse povo que se diz cristãos.

Essa arrogância da maioria dos evangélicos me deixa possesso. Eu já frequentei esse tipo de lugar e posso dizer: eles se acham de fato especiais. Mais que os indies moderninhos. Se acham escolhidos, que são tipo uns aliebígenas avanádos que moram num planeta onde os habitantes são cegos, estúpidos, sujos.

E em nome de Deus, Cristo, Jeová, whatever, cometem verdadeiros sacrilégios em relação à própria doutrina. Não tenho paciência pra religião, embora reconheça sua importância na minha formação; mas ao contrário dos religiosos, creio que as pessoas podem ser valorosas sem precisar serem batizadas ou algo do gênero.

Pelo pouco que sei, a passagem de Cristo pela Terra foi marcada justamente por um comportamento pouco ortodoxo. Tipo andar com prostitutas. E se Madalena não era prostituta e foi pintada assim para pensarmos quão livre de prsconceitos o filho do Homem era, o tiro hoje sai pela culatra. Afinal, a lição que fica é a de que as pessoas precisam ter uma chance, independente do que seja. Tô errado?

Discriminação não é algo que prega o cristianismo. E esse povo tá sempre discriminando, julgando aqueles que não andam com a bíblia debaixo do braço. A questão agora é com os homossexuais, mas não se restringe a eles. O tratamento que eles dão por exemplo a outras religiões é algo espantoso. Com os católicos, travam uma disputa quase futebolística. Com as religiões africanas... MISERICÓRDIA, diriam.

Muito bem, senhores. Muito bonito isso!

Desculpem, mas eu preciso desabafar sobre isso. Não suporto tirania. E quando isso sai das paredes da igreja e passa para esfera socio-política, fico deveras preocupado, porque eu não quero viver num lugar onde as leis sejam feitas por pessoas desse tipo.

Tá... eu sei que vou ter que mudar de planeta...

Beijas! E a paz do senhor, irmãos.

9 de junho de 2009

Desculpa a vergonha que eu passei

Ultimamente eu tenho parecido uma véia... super cheia de resistência a aprender coisas novas, principalmente as tecnológicas. Preguiça.

Mas das atitudes da minha velhice precoce, a pior é não acreditar em profissionais da área médica com menos de 30 anos. 5 anos de profissão, em média. Preconceito.

Comecei na fisioterapia e a dotôra, com menos de 30 anos e um relógio doirado cheio de brilhantes cravejados, não me explicou em detalhes o que diabos eu tava fazendo e terminei ficando constrangida em ficar enchendo ela de perguntas. Eu sou assim... gosto de saber pra que as coisas servem e o que eu tô fazendo.
No dia seguinte eu perguntei e ela me explicou de forma muito superficial. Ou subestimando minha inteligência, ou com preguiça de responder, ou apenas insatisfeita com o trabalho sem graça, pensei cá com meus botões. Enfim, achei que tinha sido pouco e que era porque ela não sabia o que tava falando, afinal de contas, tem menos de 30 anos, relógio de perua extravagante e eu, bióloga, passei 5 anos numa faculdade de fisioterapia, né?
Googlando ao chegar em casa... não é que a moçoila estava certa?! A explicação era de fato muito simples e os exercícios vão servir pra resolver meu problema.

Desculpa a vergonha que passei, mas o preconceito continua.

7 de junho de 2009

Diálogo

- É crédito ou débito?
- Crédito
- Não tem débito?
- ...
- É que a gente aceita débito ou dinheiro... Crédito só se não tiver nenhum dos dois...
- Então não... não tenho...
- Digite a senha, por favor...

Sobre Plantas

Eu e L. não sabemos cuidar de plantas. Estou muito triste por chegar a essa conclusão. Todas nossas plantinhas morrem. Rapidamente. Fazemos de um tudo por elas, mas não tem jeito. Colocamos no sol, colocamos na sombra, colocamos pouca água, outras vezes um pouco mais de água... até um produto para dar uma revitalizada nas bichinhas já compramos, e as coitadas morrem.
Um dia compramos uma renda-portuguesa. Era toda grande, bem cheia... e hoje a coitada se resume a uns pedaços de pau e um mísero galhinho com folhas.
Tristeza.

Enquanto isso...

... nos bastidores, depois que as luzes se apagam...


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Alexandre Pires

Alexandre Pires abriu mão de sua latinidade ululante e veio tirar uma semana de férias no Brasil. Desse modo:

1. Me sinto de volta aos anos 90 (favor, socorrer).
2. Impossível assistir televisão (overdose da porra).

(oi. tô bonita?)